Nathanael Cronemberger
Dezessete poetas. O que cada um pagou por ver o que ninguém via.
Nathanael Cronemberger
Dezessete poetas. O que cada um pagou por ver o que ninguém via.
Doze dos dezessete. As datas dizem o resto.
Enquanto escrevo estas linhas, ouço tiros vindos do lado de fora de casa. Isso já aconteceu tantas vezes nos últimos anos que permaneço onde estou, sentado, escrevendo.
A parte da frente da minha casa dá para uma comunidade dominada pelo tráfico. Os fundos dão vista para um campo de polo.
O que este livro quer dizer está a duas janelas de distância.
Os homens e mulheres reunidos nestas páginas encararam de frente o que a maioria não suporta olhar.
— da Apresentação
Baudelaire encontrou beleza na lama. A França o levou a julgamento por isso, e seis de seus poemas ficaram proibidos por quase cem anos.
Rimbaud destruiu a língua francesa ainda na adolescência. Pouco tempo depois, traficou armas pelo deserto. A perna apodreceu lá.
Poe cobriu a esposa com o único casaco que tinham enquanto o gato se deitava sobre ela para dar calor.
Hölderlin passou trinta e seis anos numa torre, tocando um piano em ruínas.
Pizarnik deixou as últimas palavras em uma lousa e ingeriu cinquenta comprimidos.
Tsvetáieva voltou para a Rússia porque não aguentava mais o exílio. A Rússia não a queria de volta.
Este livro entra pela mesma porta que todos eles cruzaram.
O que você vai encontrar
Mais do que contar o que aconteceu com eles, tentei entender o que acontecia dentro deles. Cada capítulo é uma história verdadeira, contada como um conto, seguida dos versos de cada poeta, traduzidos por mim, de uma leitura da obra e das curiosidades que quase ninguém conhece. Nada é inventado. Preferi perder uma boa história a repetir uma mentira bonita.
Entre os capítulos, três textos de ficção acompanham uma vida comum, a de alguém que, como você, também precisa decidir para onde olhar.
Um deles nunca teve um retrato confirmado. Até hoje, ninguém sabe ao certo como era seu rosto.
Dezessete fichas. Processados, presos, internados, exilados, fuzilados.
O crime de todos foi o mesmo:
ver o que ninguém via.
Conheça cada um em Versos Proibidos.
Informações complementares
✒️ Os poetas presentes nesta obra:
Alejandra Pizarnik
Antonin Artaud
Arthur Rimbaud
Charles Baudelaire
Edgar Allan Poe
Federico García Lorca
Friedrich Hölderlin
Hiviema
Georg Trakl
Gérard de Nerval
Guillaume Apollinaire
Lautréamont
Marina Tsvetáieva
Paul Verlaine
Stéphane Mallarmé
Tristan Corbière
William Blake
📧 Dúvidas: viladospoetas1@gmail.com